quarta-feira, 28 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Violência no Rio de Janeiro



Desafio do Estado é vencer o tráfico


A CPI da Violência Urbana da Câmara Federal ouviu Cláudio Chaves Beato Filho, da UFRJ, em 21/10/2009
Quinze dias após ter sido escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro voltou a ser notícia na imprensa internacional. Desta vez, por conta de um velho problema: a violência urbana. Direto ao ponto: Ficha-resumo

No dia 17 de outubro de 2009, traficantes atiraram contra um helicóptero da polícia. O piloto tentou fazer um pouso forçado, mas a aeronave explodiu, matando três policiais. O atentado aconteceu durante uma tentativa de invasão ao morro dos Macacos, Zona Norte, por criminosos do Comando Vermelho, que dominam o tráfico no morro vizinho.

Além dos policiais, três trabalhadores e mais 19 bandidos morreram, totalizando 25 mortes em quatro dias. Os criminosos também queimaram oito ônibus, para desviar a atenção da polícia.

Apesar de grave, o episódio não é novidade no cotidiano carioca. Em 16 de novembro de 1984, outro helicóptero da polícia foi derrubado em uma operação no morro do Juramento. Confrontos entre traficantes e policiais também são frequentes desde que as autoridades resolveram retomar territórios controlados pelo tráfico.

O que chamou a atenção foi o fato ocorrer logo após a cidade ter ganhado a disputa para sediar os Jogos Olímpicos. Isso levou a imprensa estrangeira a questionar a capacidade do governo carioca em oferecer segurança aos atletas durante o evento.

Os Jogos Olímpicos podem até forçar o Estado a resolver, em sete anos, um problema que já dura 25. Mas a questão mais importante hoje é como o governo pode oferecer segurança para a população, acuada nos conflitos armados entre policiais e bandidos.

Com o recrudescimento da situação, neste mês de outubro, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Violência Urbana da Câmara Federal ouviu Cláudio Chaves Beato Filho, coordenador-geral do Centro de Estudos de Criminalidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o deputado federal Fernando Gabeira.

Tráfico de drogas
O Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do país, com 6,2 milhões de habitantes. A metrópole, que foi capital do Brasil de 1763 até 1960, é também o principal destino de turistas estrangeiros. Por isso, funciona como uma espécie de "vitrine" do país para o mundo.

A violência urbana no município é associada ao tráfico de drogas. De acordo com dados de 2008 do Ministério da Justiça, o Rio de Janeiro é o quinto estado brasileiro com maior taxa de homicídios, com 33 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, ficando atrás de Alagoas (66,2), Espírito Santo (56,7), Pernambuco (48,5) e Pará (39,8).

Por outro lado, possui, de longe, a polícia que mais mata. Em 2008, foram 1.137 mortos em confrontos com a polícia, taxa sete vezes maior que qualquer outra região do país. Os gastos totais em segurança somam 12% do orçamento do Estado, quase o dobro de São Paulo (7,4%) e pouco menor que o de Minas Gerais (12,5%).

Mas o tráfico, por si só, não justifica o alto índice de criminalidade. Praticamente todas as grandes metrópoles do mundo possuem comércio ilegal de drogas. Estima-se que o mercado consumidor de cocaína em Nova York, por exemplo, seja duas vezes maior que o Rio. A diferença é que nem a cidade americana nem outras europeias testemunham quase que diariamente cenas de guerra nas ruas, como acontece no Rio. Como explicar isso?

A resposta é que, no Rio, facções armadas travam lutas pelo controle de territórios, favorecidas por uma rede de corrupção e pelo descaso histórico do poder público em relação às favelas nos morros cariocas.

Para que a situação chegasse a esse ponto, cinco fatores foram decisivos: o aumento da oferta e demanda no mercado da cocaína, o surgimento das facções criminosas durante o regime militar (1964-1985), o crescimento das favelas, a corrupção de setores públicos e privados e medidas repressivas e eleitoreiras sem efeito prático.

Comando Vermelho
Até meados dos anos 1970, o tráfico de drogas no Rio se restringia à venda de maconha, plantada no Nordeste do país, para presos, favelados e boêmios, num esquema amador. Entre o final dos anos 1970 e começo dos 1980, a cocaína boliviana chegou ao país a preços acessíveis, proporcionando lucros rápidos e altos para as quadrilhas. Era o início da era do tráfico de drogas internacional, que tornaria a América Latina o principal produtor e exportador de cocaína no mundo.

Para organizar o tráfico e controlar os pontos de vendas no varejo, facções criminosas surgidas nos presídios passaram a disputar os territórios nos morros, objetivando ampliar o mercado e obter ganhos maiores. Quanto mais próximo o morro está de bairros de classe média, ou seja, do consumidor, mais valorizado é o ponto. E, como o negócio é ilegal, os métodos violentos dos traficantes cariocas foram adotados tanto para cobrar devedores e intimidar moradores, quanto para proteger as "bocas" de concorrentes.

A primeira facção surgiu durante a ditadura militar. Com o aumento de assaltos a bancos e sequestros para financiar guerrilhas de esquerda, o governo decretou, em 1969, a Lei de Segurança Nacional. Com isso, alguns presos políticos foram levados para o Presídio de Ilha Grande, desativado em 1994, onde dividiam as celas com presos comuns.

Com o tempo, os detentos passaram a incorporar as táticas dos prisioneiros políticos para dominar a população carcerária. Foi desse modo que, nos anos 1970, nasceu a Falange Vermelha, mais tarde chamada de Comando Vermelho.

Fora dos presídios, os bandidos começaram a planejar assaltos e sequestros para financiar a libertação de líderes presos e garantir regalias dentro das penitenciárias. Com a chegada da cocaína, passaram também a coordenar o tráfico de drogas, mais rentável e, de certo modo, mais seguro, se comparado a outras modalidades de crimes.

A partir de 1986, disputas internas no Comando Vermelho levaram à criação de facções rivais, como o Terceiro Comando e o Amigos dos Amigos, o que gerou mais violência. Os traficantes começaram a se equipar com armamento cada vez mais pesado, de uso exclusivo das Forças Armadas, e a cooptar "soldados" e "vapores" (vendedores de drogas) cada vez mais jovens entre as comunidades.

Os donos do morro
Nesse sentido, as favelas dos morros cariocas desempenharam uma função estratégica para os traficantes. Elas cresceram durante os anos 1960, quando o Rio viveu um processo de rápida urbanização e migração, sem que houvesse um planejamento econômico para atender a população.

Na ausência do Estado, os donos do morro - como são conhecidos os traficantes responsáveis pela distribuição de drogas no varejo - se tornaram as figuras mais importantes dentro das favelas. Em troca do silêncio dos moradores, os traficantes mantém a ordem e praticam o assistencialismo, distribuindo produtos como remédios e cestas básicas, além de promoverem festas e bailes funks.

A carência ainda forneceu às quadrilhas mão de obra barata para o negócio ilegal. Para milhares de jovens, sem oportunidades de estudo ou emprego, o tráfico se tornou a única via de acesso a bens de consumo e até mesmo de sustento para suas famílias. Outros fatores, como o glamour do banditismo e o vício em drogas, também acabaram envolvendo jovens de classe média e alta no crime organizado.

Outra vantagem importante que os morros oferecem aos traficantes é a topologia. Do alto das favelas, os bandidos conseguem monitorar a entrada de viaturas policiais e se prevenir. A ocupação irregular das favelas (são cerca de 800), com ruas estreitas, becos, esconderijos e dezenas de entradas e saídas, também dificulta o trabalho da polícia.

Corrupção
Os maiores líderes da facção, porém, estão em presídios de segurança máxima, de onde ainda controlam o tráfico e outras atividades criminosas, por meio de aparelhos celulares e visitas de parentes e advogados.

Por esta razão, outro componente importante na engrenagem do tráfico é a corrupção de órgãos do governo e instituições privadas. O dinheiro do tráfico financia desde a proteção de policiais e conivência de agentes penitenciários até a compra de sentenças de juízes.

Apesar de os donos do morro ficarem famosos na imprensa, como no caso do traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP (veja livro indicado abaixo), quem alimenta o tráfico carioca são os atacadistas. Eles possuem contatos e influência junto a governos, empresas e instituições bancárias, para conseguirem lavar o dinheiro resultante do comércio ilícito de drogas.

São os atacadistas que fazem o tráfico internacional, tanto de drogas quanto de armas, e poucos são os traficantes que conseguem atingir essa posição. Estima-se que somente 20% da cocaína que chega ao Rio abasteça o mercado interno; a maior parte tem como destino a Europa.

Como resolver
Nos últimos anos, com a violência cada vez mais próxima da classe média e a consequente mobilização de setores da sociedade civil, os governos tiveram que mudar de estratégia. Chegou-se à conclusão de que era preciso retomar a presença do Estado nos morros, por intermédio da polícia comunitária, e do combate à exclusão, com programas sociais.

Porém, a solução para a criminalidade no Rio de Janeiro, que, conforme visto, possui raízes históricas e atravessa sucessivas administrações, não é fácil ou rápida. Por outro lado, também não existe nenhuma fórmula mágica que precise ser descoberta.

Segundo especialistas, a solução envolve duas frentes contínuas de ação: uma policial e outra social. Na policial, o foco na repressão e reação aos ataques tem efeitos colaterais indesejáveis, com a morte de policiais e pessoas inocentes em tiroteios com traficantes. Para evitar isso, seriam necessários investimentos em inteligência e operações preventivas.

Mais importante que a polícia concentrar esforços no combate ao varejo é a investigação dos atacadistas. De nada adianta a polícia prender os chefes do tráfico, pois eles são substituídos por outros ou continuam liderando os grupos de dentro dos presídios. Sendo assim, seria mais eficiente sufocar as rotas de comércio ilegal de armas e drogas, impedindo que os produtos cheguem aos morros.

Para se chegar a esses atacadistas, serão necessários mecanismos mais rigorosos de controle da corrupção, que passam pela investigação de redes de lavagem de dinheiro e a punição de empresários, políticos, funcionários públicos e juízes envolvidos com o tráfico, conforme apontado pela CPI do Narcotráfico.

Do ponto de vista social, o governo precisa oferecer alternativas de renda viáveis e concretas para os jovens que moram nas favelas. Com oportunidades de emprego, boa parte deles deixaria de ser mão de obra para as quadrilhas nas favelas.

Espera-se que, pelo menos com a visibilidade que o Rio ganhará com a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, um passo seja dado nessa direção.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SUPER VEST SHOW

DVD + CD = R$ 25,00

1. 120 aulas em vídeo ( Matemática, física, biologia, história, química, geografia, redação e português)
2. Apostila Completa de todos os assuntos.
3. Programa de questões por assunto do vestibular UECE e UFC.
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6. Curiosidades.
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9. Concorrência.
10. Resumo das obras da UFC.
11. Dicas de como passar no vestibular.
12. Aulas em áudio.

Colisor de hádrons atinge temperatura inferior à do espaço remoto





LHC atinge, após meses de reparos, 271°C negativos.
Temperatura é pouco superior ao ‘zero absoluto’ (-273°C).



O Grande Colisor de Hádrons (LHC), um gigantesco acelerador de partículas que começou a operar em setembro do ano passado mas logo teve de ser desligado por falha técnica, atingiu novamente a temperatura necessária para a realização de experimentos: -271° Celsius. O LHC é um túnel circular de 27 quilômetros construído a 100 metros de profundidade na fronteira da França e Suíça ao custo de US$ 6 bilhões. Para resfriar as 8 seções do complexo, foi utilizado hélio líquido. Foi justamente um vazamento de hélio líquido que causou a frustrante interrupção de atividades do colisor, pouco depois de sua retumbante inauguração.



A perspectiva, agora, é de uma “re-estreia” na segunda quinzena de novembro. Mas choques de alta energia só devem ocorrer em janeiro. O objetivo final é recriar as condições logo após o Big Bang. O LHC é operado pela Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern, baseado em Genebra).



A temperatura atingida pelo LHC é pouco superior ao “zero absoluto” (273,15°C negativos), a temperatura mais baixa possível. Em regiões remotas do espaço sideral, a temperatura é de cerca de -270°C.







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AULA EQUILÍBRIO QUÍMICO

video

Competição nos Estados Unidos estimula projetos de casas com energia solar




Construções mantém estilo de vida dos moradores.
Evento inclui 20 equipes de universidades dos EUA, Canadá e Europa.

Do 'New York Times'



John Hamilton fez uma pausa no conserto das bombas de calor, canos e tanques ordenados à sua frente, o centro mecânico de uma pequena casa montada no National Mall, para ler o medidor elétrico montado na lateral.


A tela digital mostrava que, durante os dois dias anteriores, a estrutura parecida com um pavilhão, projetada por estudantes de arquitetura e engenharia da Virginia Tech, havia extraído cerca de 20 quilowatts/hora da rede elétrica. No mesmo período, entretanto, células foto-elétricas no telhado haviam gerado cerca de 60 quilowatts/hora de volta.



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Aspas

A ideia é provar às pessoas que a energia solar funciona, e que você não precisa abandonar seu estilo de vida para usá-la
"

"Isso é ótimo", afirmou Hamilton, que regulava os sistemas de controle da casa numa tarde de quinta-feira, pois sua empresa, a Siemens, é um dos patrocinadores. "Nós a usamos muito nesta manhã".


Os membros da equipe da Virginia Tech estiveram ocupados com preparativos de última hora para a inauguração de seu projeto, chamado Lumenhaus, e para o lançamento do Solar Decathlon, uma competição do Departamento de Energia dos EUA envolvendo o projeto e a construção de uma residência eficiente e habitável usando energia solar.




O evento de dez dias inclui 20 equipes de universidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa


Alguns grupos têm se apressado de forma ainda mais frenética. Alunos e conselheiros acadêmicos da Universidade de Wisconsin, em Milwaukee, estavam usando capacetes, serrando e martelando, e ainda trabalhavam bem depois das cerimônias de abertura da uma da tarde.



A produção de energia em rede da casa da Virginia Tech valerá alguns pontos na competição. Mas essa e as outras inscrições não serão julgadas somente pelo uso da eletricidade. Serão concedidos pontos pelo projeto arquitetônico, habilidade de engenharia, conforto e possibilidade de comercialização – ao todo, são dez categorias.


"A ideia é provar às pessoas que a energia solar funciona, e que você não precisa abandonar seu estilo de vida para usá-la", disse Richard King, diretor da competição bienal do Departamento de Energia, que concede US$ 100 mil a cada equipe para iniciar os projetos.



Viabilidade

O evento também tem a intenção de fazer os estudantes pensarem em solucionar os problemas de energia de maneiras viáveis – todos os projetos precisam ser direcionados a um mercado específico, de baixa a alta renda.



As casas, limitadas a 75 metros quadrados, são totalmente abastecidas com mobília e decoração – até mesmo lençóis, toalhas e livros. Os membros das equipes não moram nelas, mas precisam realizar atividades domésticas como cozinhar e lavar roupas, e são julgados se seu sistema é capaz de manter uma temperatura de ar confortável e produzir água quente em quantidade suficiente.




A televisão tem de ser deixada ligada por seis horas ao dia, para demonstrar que há eletricidade o suficiente para diversão



Com as casas alinhadas em duas fileiras à sombra do Monumento de Washington, a competição lembra um parque de trailers futurista. Há materiais e projetos inovadores por todo lado – na casa da Equipe Ontário, venezianas exteriores auto-ajustáveis que também podem refletir a luz do sol para dentro da construção; uma parede de água plástica no projeto da Universidade do Arizona, que absorve a luz solar que libera calor; e, no Lumenhaus, painéis móveis translúcidos separados com aerogel, o que permite a passagem da luz.



Painéis solares, tanto fotoelétricos quanto termais, adornam os telhados. Alguns são montados da maneira convencional, inclinados de forma que os raios do sol os atinjam quase perpendicularmente para aprimorar a eficiência da conversão.



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Aspas

Disse a esses garotos que eu viveria nesta casa "

Algumas casas, porém, possuem painéis horizontais, ou nas laterais, como telhas de alta tecnologia (e alto preço), ou com mecanismos para permitir que eles se inclinem, seguindo o sol. A competição estimula a sustentabilidade, então a maioria das casas tem sistemas para usar a água da chuva e reutilizar a água de limpeza para as plantas.



Produtos reciclados são encontrados nas partes externas (tábuas feitas de papel e madeira prensados na casa da Universidade de Minnesota) e internas (portas de armários feitas de talo de sorgo prensado da cozinha da Equipe Missouri).



Muitos dos interiores são projetados para serem flexíveis e adaptáveis. No Lumenhaus, por exemplo, armários centrais podem ser arrastados na direção das paredes para isolar o quarto da área comum, e um balcão móvel pode cobrir grande parte das superfícies da cozinha ou ser usado como uma mesa.



Hamilton, representante da Siemens, gostou tanto do interior que tinha uma proposta aos estudantes da Virginia Tech. "Disse a esses garotos que eu viveria nesta casa", afirmou ele.

Crise econômica próxima do fim?



As lições da crise, um ano depois


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião de chefes de Estado do G20, em abril de 2009
Foi numa segunda-feira, 15 de setembro de 2008, que ocorreu a morte simbólica de Wall Street, um dos mais importantes centros financeiros do mundo. A economia mundial se viu então diante um iminente colapso, sem precedentes desde o crack da bolsa de Nova York em 1929. (Direto ao ponto: Ficha-resumo)

Neste dia, o Lehman Brothers quebrou e outros três bancos de investimentos dos Estados Unidos, o JP Morgan, o Merril Lynch e o Goldman Sachs, quase foram à falência. Para se reerguerem, pediram socorro ao governo. Era o início da atual crise econômica mundial, que mudou o panorama geopolítico do mundo globalizado e deixou uma dívida que, no futuro, pode resultar em novos abalos no sistema financeiro. Para evitar isso, é preciso criar mecanismos mais eficientes para regulamentar a especulação com capitais de risco.

A questão de como será feito esse controle é justamente um dos pontos de divergência da cúpula do G-20, grupo dos países ricos e emergentes. Eles se reúnem no final deste mês de setembro nos Estados Unidos para chegar a um acordo sobre como sair da crise.

Quase um ano depois, o consenso é que o pior já passou e que os efeitos, contrariando os mais pessimistas, foram menos catastróficos que o esperado. De acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), a previsão é de recuo em 1,3% da economia global este ano - contra a estimativa anterior de 1,4% de retração - e recuperação somente no final de 2010.

Trocando em miúdos, o capitalismo entrou agora na fase de recuperação. No entanto, para o G-20, ainda é cedo para suspender a irrigação de setores privados com verbas públicas. É uma aposta necessária, mas que não agrada a todos. Manter os pacotes de estímulos monetários e fiscais do Estado tem um custo político: o contribuinte sabe que foi ele quem pagou pela "lambança" no mercado financeiro, e deve retribuir seu descontentamento nas urnas.

Governos gastaram trilhões de dólares de impostos e aposentadorias para salvar bancos à beira da falência, "azeitar" o setor industrial e gerar empregos. Com isso, mais as medidas de reajustes fiscais, conseguiram resgatar a economia do buraco.

Brasil
O mundo pós-crise que surgiu dessa manobra trouxe também um novo rearranjo no tabuleiro da geopolítica mundial. Os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro de sua história, Barack Obama, com a promessa de reerguer a maior potência econômica do planeta.

Desde o início da recessão, o país viu desaparecer 6,9 milhões de vagas e amarga a pior taxa de desemprego em 26 anos. O americano está endividado e sem poder de consumo, o que deve retardar ainda mais a recuperação da economia doméstica.

Na Europa, mesmo com o setor bancário menos atingido, o desemprego é o maior em dez anos, o que deu vazão a políticas de restrições à imigração. E, pela primeira vez, a China ultrapassou a Alemanha e se tornou o principal país exportador no mundo, provocando uma mudança no fluxo de capitais entre Estados Unidos e Europa.

Aliás, são os países que compõe o chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), grupo das economias emergentes, que saem fortalecidos da crise, com maior poder político e de atração de investimentos.

No Brasil, a recessão durou exatamente dois trimestres, contra o dobro em nações mais ricas, como Estados Unidos, França e Alemanha. Para este ano, a estimativa de crescimento é de quase 2%, contrastando com as taxas negativas em outros países.

Contribuiu para isso uma economia estável e um mercado financeiro com pouca alavancagem - termo usado para quando uma empresa investe aquilo que não tem. Foi esse tipo de operação de risco que deu início ao período de recessão.

Bolha imobiliária
No final de 2008, instituições financeiras promoviam uma verdadeira "roleta russa" com as economias de pessoas comuns. Havia juros baixos e crédito farto para operações de alto risco e lucro incerto.

Os americanos pegavam dinheiro emprestado dos bancos para comprar casas, contraindo dívidas que não poderiam pagar. Com a maior procura, os imóveis eram valorizados. Os bancos, por sua vez, faziam contratos de segunda linha, chamados subprimes, e repassavam para as seguradoras, visando se cobrir de eventuais calotes. Os papéis eram ainda negociados com investidores e fundos de aposentadoria.

A ideia era, no final, todos saírem ganhando. Mas aí os juros aumentaram e os americanos não conseguiram pagar as dívidas, perdendo as casas hipotecadas. Os bancos colocaram os imóveis à venda, causando queda nos preços de mercado.

De uma hora para outra, empresas se viram cobertas de títulos "podres" dos quais precisavam se livrar o mais rápido possível, antes que se desvalorizassem mais ainda. A situação era o que os especialistas chamam de estouro da "bolha".

A volta do Estado
Daí por diante, foi um efeito dominó. Com a confiança abalada no mercado, créditos deixaram de ser concedidos e os investidores se afastaram. Sem crédito, houve queda de produção e as fábricas fecharam, como aconteceu com a indústria automobilística.

Como resultado, milhares de pessoas perderam o emprego, gerando queda no consumo e na arrecadação de impostos. Os países entraram em período de recessão, que é quando deixam de crescer e acumulam perdas no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de riquezas de uma nação.

Mas por que a crise não foi prevista? Por que não se adotaram mecanismos para impedir que isso acontecesse?

Controles existem, mas são frágeis: um dinheiro investido em uma ação da Bolsa atravessa o mundo em questão de segundos, enquanto as agências que controlam as transações financeiras, como os bancos centrais, ficam restritas às fronteiras de cada país.

Além disso, nos últimos 50 anos a crença dominante entre economistas era de um mercado autorregulado, aquilo que Adam Smith (1723-1790), pai da economia moderna, chamava de "mão invisível". Quando menos o Estado interviesse, melhor.

A doutrina da "mão invisível" saiu abalada com a crise e hoje se fala em reconstrução do papel do Estado na economia global. O problema dessa história é que o Estado está fazendo isso contraindo dívidas que podem ser o germe da próxima depressão.

Os Estados Unidos, que gastaram US$ 12 trilhões em pacotes para salvar bancos e indústrias, a previsão é terminar o ano com déficit de 11% do PIB (no Brasil, estima-se em torno de 3%).

Enquanto isso, os grandes bancos que antes estavam à margem do abismo comemoram a saída do vermelho. Voltaram a faturar. Melhor do que isso, saíram da crise com uma espécie de salvo-conduto: a garantia de que, a despeito das especulações de risco, poderão ser ajudados novamente pelo governo.

Não se sabe quando ocorrerá a nova crise. A única certeza é que, a menos que sejam implementadas medidas mais enérgicas de controles das finanças internacionais, ela virá. E nem é preciso ser economista para saber quem vai pagar a conta novamente.

Revolução Chinesa - 60 anos



Socialismo à chinesa sobrevive ao século 20


Mao anuncia a fundação da República Popular da China, em 1º de outubro de 1949
Há 60 anos, no dia 1º de outubro de 1949, a Revolução Chinesa transformou o terceiro maior país do planeta - e o mais populoso - numa nação socialista, a República Popular da China. Direto ao ponto: Ficha-resumo)

Seria impensável, à época, unir economia liberal, baseada no mercado livre, e regime comunista, centralizado no Estado. Pois é com esse modelo administrativo que a China, depois de passar metade do século 20 em conflitos e sobreviver ao colapso do comunismo, ao final da Guerra Fria (1945-1991), ameaça hoje a hegemonia dos Estados Unidos.

Senhores feudais
Considerada um dos berços da civilização, a China desenvolveu a escrita, o Estado e várias tecnologias - como a fundição de ferro e bronze, fabricação de tecidos, indústria naval e imprensa - muito antes do Ocidente.

Enquanto os gregos inventavam a filosofia ocidental e a democracia, entre os séculos 8 e 3 a.C. os chineses faziam a transição da sociedade escravista para o regime feudal, com amplo desenvolvimento cultural e científico.

Foi também um período marcado por guerras entre os senhores feudais, até que a dinastia Qin instituiu o primeiro Estado centralizador, com o objetivo de unificar o país e resolver os conflitos internos. Os dois mais famosos legados da China feudal são da dinastia Qin: a Grande Muralha e o Exército de Terracota.

Nos séculos seguintes, a disputa entre dinastias ora centralizava ora descentralizava o poder no Estado chinês.

Durante a dinastia Ming (1368-1644), no século 14, o país possuía a mais avançada frota naval do mundo. Porém, a expansão mercantilista foi proibida pelo sistema feudal, influenciado por aspectos mais conservadores da doutrina de Confúcio (551 a.C.- 479 a.C.). Isso contribuiu para a ascensão da monarquia absolutista Qing e o atraso econômico, social e industrial da China em relação à Europa.

Foram essas desvantagens frente aos impérios coloniais do século 19, somadas a instabilidades internas causadas por rebeliões camponesas, que deixaram o país suscetível a interferências de nações imperialistas. Após a primeira Guerra do Ópio (1840), contra a Inglaterra, o país foi praticamente retalhado em colônias inglesas, francesas, alemãs, japonesas e americanas.

Revoltas camponesas
O clima de revolta contra os estrangeiros e os senhores feudais incentivou levantes populares como a Revolução Celestial Taiping (1851-1864) e as rebeliões dos Nain (1851) e dos Boxers (1900-1901). O sentimento anticolonialista entre os camponeses - que, correspondendo a 80% da população, eram a grande força militar do país - foi canalizado na formação do Kuomintang (Partido Nacionalista Chinês). O partido foi criado por Sun Yat-sen (1866-1925), que proclamou a República entre 1911 e 1912.

Mas mesmo tendo derrotado a monarquia feudal, os nacionalistas não conseguiram manter o poder, que foi transferido para senhores da guerra ligados às potências estrangeiras. Na prática, portanto, pouca coisa mudou.

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a China se aliou à Inglaterra e à França contra a Alemanha e o Japão, esperando com isso rever sua condição de dependência colonial. Contudo, mesmo apoiando os vencedores, a China teve de aceitar, ao final da guerra, o artigo do Tratado de Versalhes (1919) que conferiu ao Japão o direito de posse das concessões alemãs em território chinês.

Revoltados contra o fracasso da diplomacia do governo chinês, estudantes promoveram manifestações em Pequim que se espalharam pelo país, conhecidas como Movimento 4 de Maio. Os jovens também criaram, sob influência da Revolução Russa de 1917, o Partido Comunista Chinês (PCC), em 1921.

No início, o PCC e o Kuomintang eram aliados contra os senhores da guerra e as potências colonialistas. Isso mudou com um golpe militar, em 1927, do sucessor de Sun Yat-sen na liderança do Partido Nacionalista, Chiang Kai-shek (1887-1975). Os comunistas se refugiaram no campo, onde organizaram a luta armada e o Exército Vermelho para combater os nacionalistas. O PCC estabeleceu ali um modelo de guerrilha rural seguido, por exemplo, pelos comunistas brasileiros na Guerrilha do Araguaia (1972-1975).

A guerra civil entre nacionalistas e comunistas se estendeu até 1935, com a vitória do Kuomintang e a perda de 90% do efetivo do exército comunista durante a Grande Marcha.

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os partidos se uniram mais uma vez contra a ocupação japonesa e, em 1947, travaram nova guerra civil. Desta vez, os comunistas tinham mais prestígio junto ao povo, graças à resistência às tropas nipônicas, além de apoio da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Sob a liderança de Mao Tse-tung (1893-1976), o PCC derrotou o Partido Nacionalista e proclamou, em 1949, a República Popular da China.

Revolução Cultural
A China era então um país pobre, atrasado e completamente destruído por mais de duas décadas de guerras e batalhas domésticas. Nas três décadas seguintes, Mao Tse-tung fez do país um dos maiores laboratórios da experiência socialista do século passado, grande também em seus desastres.

No decorrer do Grande Salto Adiante (1958-1961), campanha que tinha como objetivo modernizar a China aumentando a produção agrícola e acelerando a industrialização, cerca de 20 milhões de pessoas morreram de fome.

Já a Revolução Cultural (1966-1967, 1972-1973 e 1975-1977), movimento de caráter ideológico que iniciou o culto ao líder Mao Tse-tung, foi um dos períodos mais traumáticos da história do país. Intelectuais e pessoas consideradas inimigas do partido eram executadas pelos "guardas vermelhos", enquanto outros eram perseguidos e exilados do país.

Foram estes primeiros fracassos do regime comunista que levaram o PCC - tendo à frente Deng Xiaoping (1904-1997), que se tornou líder máximo após a morte de Mao - a promover reformas políticas e econômicas entre 1978 e 1980. As reformas tiveram como maior característica a abertura do mercado.

Com a queda dos governos comunistas no Leste Europeu, supunha-se que a China encontraria o mesmo caminho aberto pelas reformas na economia, rumo à democracia liberal. Não foi o que aconteceu. O país adotou um sistema que combina protecionismo e livre mercado, propriedade privada e social, capitalismo econômico e Estado socialista.

China pós-crise
Hoje a China é a terceira maior economia do planeta, atrás somente dos Estados Unidos e do Japão, ultrapassando o Reino Unido e a Alemanha. Além disso, é país que mais concentra investimentos estrangeiros. No atual ritmo de crescimento, deve se tornar, em 2010, a segunda maior potência econômica, ameaçando a supremacia dos americanos.

Desde 1991, a economia cresceu quase 11 vezes, tornando a capital, Pequim, uma das metrópoles mais arrojadas e modernas do planeta. O país, que foi também um dos primeiros a se recuperar da crise econômica mundial, assumiu a liderança no mercado automobilístico e superou a Alemanha como maior exportador mundial.

O sucesso na área econômica, no entanto, foi acompanhado de censura à imprensa, restrições aos direitos civis e violações dos direitos humanos. Eventos dramáticos, como o massacre da Paz Celestial (Tiananmen), anexação do Tibete e o massacre da etnia uigur na Província de Xinjiang, no ano passado, renderam críticas da comunidade internacional.

No desfile militar que irá comemorar os 60 anos da Revolução Chinesa, o mesmo povo que colocou no poder os comunistas será barrado por um forte esquema de segurança na capital chinesa. Sinal de que uma das nações mais poderosas do século 21 é também uma aberração política do século 20, sem contradição.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Prêmio Nobel


Prêmio Nobel
Por que Obama ganhou o Nobel da Paz de 2009?


Barack Obama ganhou o prêmio Nobel da Paz no momento em que enfrenta queda de popularidade
Barack Obama demonstrou surpresa ao saber que havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Foi uma decisão no mínimo polêmica do Comitê Norueguês, que anunciou o prêmio no dia 9 de outubro de 2009. Afinal, os Estados Unidos estão envolvidos em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão. Além disso, até agora, as estratégias diplomáticas de Obama para resolver conflitos no Oriente Médio e os esforços para impedir a proliferação de armas nucleares não tiveram nenhum efeito prático.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O anúncio coincide também com um momento crítico para Obama, que deve decidir se envia ou não mais 40 mil soldados para a Guerra do Afeganistão, aumentando para 108 mil o efetivo militar. Pesam sobre a decisão a aprovação de apenas 40% dos americanos e a divisão interna entre republicanos, que defendem a proposta, e democratas, que querem a redução do contingente.

Contexto
Desde 20 de janeiro de 2009 na Casa Branca, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos enfrenta queda de popularidade entre os americanos, por conta não somente das guerras, mas também do plano de reforma da saúde, em discussão no Congresso. Não era assim quando assumiu o cargo. Na época, havia expectativa para que resolvesse a pior crise econômica no país desde o crack na Bolsa de 1929 e recuperasse o prestígio da nação, abalada por oito anos de governo de George Walker Bush.

No término de dois mandatos consecutivos, Bush tinha um índice recorde de 80% de rejeição, por conta de uma das piores administrações da história do país. A "guerra ao terror", promovida após os ataques de 11 de Setembro de 2001, levou o país a invadir o Iraque, implementar internamente uma agenda de violações aos direitos civis e conduzir uma política externa unilateral que, em termos diplomáticos, isolou Washington.

Obama chegou à Presidência com a promessa de acabar com as campanhas militares dispendiosas e retomar o diálogo com Europa e Ásia. É este contexto que devemos levar em conta para compreender a escolha do presidente para o Nobel da Paz. Trata-se de uma aposta numa postura mais aberta e menos arrogante.

Nobel da Paz
O Prêmio Nobel foi idealizado por Alfred Nobel, industrial sueco que inventou a dinamite. O objetivo era reconhecer contribuições de valor à humanidade em cinco áreas distintas: física, química, medicina, literatura e trabalhos pela paz. A premiação ocorre desde 1901 na cidade de Estocolmo - capital da Suécia e sede da Fundação Nobel -, com exceção da entrega do Nobel da Paz, que acontece em Oslo, capital da Noruega.

O Nobel da Paz é concedido a pessoas ou organizações cujas ações promoveram a paz entre as nações e contribuíram para solucionar conflitos. Entre os mais famosos laureados com o prêmio estão Martin Luther King (1964), Madre Teresa de Calcutá (1979), Dalai Lama (1989), Mikhail Gorbachev (1990) e Nelson Mandela (1993).

Além de Obama, outros dois presidentes americanos foram contemplados durante o mandato: Theodore Roosevelt (1901-1909), em 1906, e Woodrow Wilson (1913-1921), em 1919. O ex-presidente Jimmy Carter (1977-1981) ganhou o Nobel em 2002, duas décadas depois de deixar a Casa Branca, por esforços pela paz mundial. O ex-vice-presidente Al Gore foi premiado junto com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, em 2007, pelo trabalho sobre mudanças climáticas.

A vitória de Obama, no entanto, recebeu críticas tanto da imprensa americana como da europeia. O motivo é que o prêmio teria sido precipitado. Obama foi indicado ao Nobel com apenas um mês no cargo e venceu antes mesmo que cumprisse, parcialmente, suas metas de governo.

Ao receber o prêmio, ele disse: "Estou surpreso e profundamente honrado com a decisão do Comitê do Nobel. Não vejo isso como reconhecimento dos meus feitos, mas como uma afirmação da liderança americana em nome das aspirações dos povos de todas as nações".

E estava certo. Foi uma escolha política do Comitê, uma maneira de os europeus ratificarem sua liderança, popularidade e, mais do que isso, o que Obama representa em relação ao governo anterior, em pelo menos três pontos: política externa, desarmamento nuclear e meio ambiente.

Diplomacia
Primeiro, ele abriu diálogo com países mulçumanos antes vistos como "inimigos" da democracia americana. Em discurso na Universidade do Cairo, capital do Egito, em 4 de junho de 2009, o presidente afirmou que os Estados Unidos "nunca esteve nem estará em guerra contra o Islã", e que os países deveriam unir forças contra o terrorismo.

Obama também se comprometeu com a retomada das negociações de paz no Oriente Médio e reatou laços diplomáticos para resolver a questão dos programas nucleares do Irã e Coreia do Norte, acabar com o embargo a Cuba e suspender os atritos com a Venezuela.

Estas iniciativas inauguraram uma nova política externa dos Estados Unidos, antes pautada pelo unilateralismo, quer dizer, a adoção de decisões sem levar em conta o papel de órgãos mediadores, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Outra medida importante envolveu negociações com a Rússia para cumprir ambiciosas metas do programa de redução de armas nucleares, objetivando tornar o mundo mais seguro. No dia 17 de setembro de 2009, a Casa Branca anunciou a desistência do projeto de escudo antimísseis no Leste Europeu, desenvolvido no governo Bush, que Moscou considerava uma ameaça à segurança. No lugar, propuseram um novo sistema de defesa, em conjunto com Rússia e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Na área ambiental, o presidente revogou decisões da administração Bush e considerou prioritárias questões climáticas e ambientais, defendendo a geração de energia limpa e fontes renováveis. Em junho, os deputados americanos aprovaram projeto que limita as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Por isso, a presença dos Estados Unidos é considerada vital para a reunião em Copenhague, em dezembro próximo, em que se tentará definir o acordo climático que vai substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e do qual o país não é signatário.

Mesmo que a maior parte destas propostas não tenha tido ainda resultados práticos, como justificam os críticos da escolha do Nobel, elas assinalam avanços que foram reconhecidos pela comunidade internacional. Neste sentido, o prêmio é considerado, ao mesmo tempo, como estímulo e reconhecimento pelo que Obama representa para o mundo hoje, e um sinal de que Estados Unidos e Europa estão mais próximos.

A entrega do prêmio ocorrerá no dia 10 de dezembro de 2009, na Câmara de Oslo. Ele consiste num diploma, uma medalha de ouro e 10 milhões de coroas suecas (R$ 2,5 milhões), que Obama diz que irá doar para a caridade.